Quarta-feira, Julho 01, 2009
falaram-me de tantos: destes que se entram à porta, à meia-tarde de uma noite; vigilantes intempestivos de um momento súbito. mal sabem que os espreito à janela, dou-me ao tento de quaisquer impressões, e creio-me tão louco que, por algumas vezes, achar-se já é insano. varro olhos pelo perímetro da rua, procuro detalhes tão menores que me fogem ao tino; guardo na retina a sucessão dos fatos, levo na memória o empedernido...olha-me: tenho anos que seguem e movem-se ao independer de rogos! dir-se-iam inexoráveis, inexortáveis: falaram-me de tantos...e eu que espero: à espreita, em janela, por este amor que não vem.
Sexta-feira, Junho 19, 2009
Domingo, Junho 07, 2009
O tempo e o movimento
no silêncio das significações
guardo meu semblante estático:
já não esboço reações.
calado não produzo fatos,
não colho temperamentos,
não semeio ventos,
não vejo tempestades.
por isto, silencio-me
e sou tal qual o tempo
que se dispõe a passar,
quieto,
a depender,
não-dependendo,
de tudo o que progride
em movimento.
Quinta-feira, Junho 04, 2009
Quarta-feira, Maio 27, 2009
Cansado de tudo; de todos
cansado de tudo:
de todos!
de escrever, de ser subjetivo, de fingir retardo mental, de manter-me passivo aos acontecimentos, de não olhar pra dentro e ver que grito. de não fazer o que sinto, de não sentir o que amo: quero a sensação do amor! ser de uma coisa, só pra ela, dar-me a ela com todo gosto.
vou tirar férias do mundo!
quero um pouco de "eu mesmo"...
estou cansado de não estar satisfeito:
de tudo,
de todos.
Sábado, Maio 09, 2009
Interdição
constatar-se interdito é, por vezes, o momento de mais súbito chofre: olhar-se o lado, o outro; até que se não mais encontrem saídas, de onde retira-se que a vida parou; daí a necessidade contínua de movimento, de uma ordem que desfaça o abrupto estanque, de uma hoste bruta de palavras mestiças, de um intrincado sumptuoso de vocábulos, de uma novidade inaudita: assim faz-se de tudo palavra nova, sentimento novo, e segue-se em movimento vigoroso, a vida.
vou parar por cá: não esperem, meus invisíveis (inleitores, talvez diria), que daqui saia alguma obra de grande importância...é meu instante de voltar-me a mim, pra nascer de novo.
a palavra é a ilusão do movimento.
até.
Sexta-feira, Maio 08, 2009
mês de maio
este vai-se como quase os outros: sem pretensão alguma poética. pergunto-me de vez: pra que pretensão poética? como dizem: não paga nem contas! já sei: vou baixar o filme do w.o.l.v.e.r.i.n.e (problemas made-in-google), ficar em casa; vegetando e assistindo. talvez vá ao cinema diretamente, não sei.
fato é que me procuro com certa constância...
fato é que me procuro com certa constância...

